36 – Já não aconteceu

Por que a pressa? Não podemos ir mais devagar? Sentar naquele banco de praça? Nada vai acontecer que já não tenha acontecido. Todo o tempo que passei esperando Antônio deixá-la em paz. Os minutos no pátio da escola, todos os dias, esperando você descer a escadaria de mãos com as amigas. "Será que eu posso? A sua mão?" (Adriano para Marcela).

Parados, no meio da rua, Marcela olhou para Adriano e disse: “Não me olhe assim.” É possível que na verdade ela nunca tivesse visto um olhar como aquele. E estava surpresa por nunca ter percebido Adriano entre os outros colegas. Por ter visto em seus olhos mais que o pesado aro dos óculos. “Sabe, Adriano…”, ela tentou dizer. “Eu não posso mais esperar, Marcela”, ele antecipou-se ao que ela tentava dizer, tirando os óculos pesados da face e a abraçando ali mesmo, colando os lábios nos dela. Ela talvez não soubesse ainda o que tenha sentido, mas sentiu que gostava. Naquele momento, só isso lhe bastava. Por quanto tempo depois ainda iria bastar? E por que alguém precisava saber disso tudo naquele momento? Sob um longo trovejar, a chuva começou a cair e eles trataram de se abrigar sob uma marquise. Com a cabeça dela encostada em seu ombro, conversavam.

"Sabe, Adriano, não acho que o Antônio esteja correndo perigo... Pelo contrário..." (Marcela)


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