35 – Perdendo tempo

Quando isso acabar, nós vamos embora daqui. Você poderá me ajudar nas aulas particulares ou poderá dar aulas também. E o Antônio vai conosco, eu tenho um quarto nos fundos do pátio onde ele pode ter suas coisas, levar sua vida. Lá ele poderá viver uma vida mais simples, longe desses computadores e da imundície insuportável dessa cidade. Ter uma vida com paz e saúde é o que todos precisamos. (Maria João)

Vitória e a irmã não sabiam o que fazer nem o que estavam fazendo. O pai de Adriano parecia tranquilo e disse que o filho deveria voltar logo. Ele irá ajudá-lo a carregar os sacos de farinha para os fornos, ele sempre faz isso, então não deveria demorar muito. “Por que não esperam?”, ele perguntou. Mas elas não queriam saber de Adriano, elas queriam saber é de Antônio. Se o filho dele tem ideia de onde anda Antônio, então elas querem falar com ele; caso contrário, não é preciso. Por um instante, parece que estão perdidas, ou pelo menos parecem ter a noção de estar perdendo um tempo que na verdade sabem não ter.

“Vamos, tomem um café. Não vão sair assim, rumo a lugar nenhum. O Adriano já vai voltar e vai ajudar a encontrar o Antônio. Eles estão sempre em contato, que eu sei… Às vezes é tarde da noite e tenho de ralhar com o Adriano para desligar o computador e ir dormir…”, ele disse e serviu duas xícaras pequenas de café, fazendo com que elas sentassem. E ficou em pé ao lado delas, mas em seguida o chamaram para resolver algo no balcão.

"Não saiam daqui. Fiquem calmas. Ele já vai chegar." (Seu Giovani)

Porque estavam ali dentro, elas não enxergaram o Magrelo encostar o carro preto quase em frente ao prédio e descer correndo lá de dentro, com o telefone ao ouvido e dando de cara com José Francisco na porta, forçando-o a subir consigo as escadas. O que elas querem saber é onde está o amigo de Antônio, o próprio Antônio e no que ele pode ajudá-las, afinal, se é que ele pode mesmo.

Maria João estava exausta, o café servido pelo padeiro amoleceu seus nervos e ossos triturados pela viagem que atravessou durante a noite, mas ela sabia bem que, sentadas ali dentro, elas não resolveriam nada. Sem mover-se da cadeira, ela disse: “A gente só está perdendo tempo, aqui, parada….” Vitória estava olhando em redor e cumprimentava uma vizinha que encontrara ao acaso na fila do caixa.

"Vamos ficar mais um pouco. A gente não tem pra onde ir. Só pode esperar." (Vitória)


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