31 – Mil coisas

Ela não vai atender. Marcela tem mil compromissos, dança, canta e aquela lista interminável de amigas é a sua prioridade número um. Um telefone desligado serve pra quê? Talvez ela saiba como fazer com que Antônio desista dessa ideia estúpida. Eu é que não sei mais nada. Só que preciso encontrá-la. O jeito é ir até lá. (Adriano)

Há sempre mil coisas acontecendo mundo afora. Alguém ou está entrando ou saindo de casa, passando por portas ou olhando por janelas. Os carros nas ruas e avenidas confundem-se indo e vindo. Adriano sabe que não deve mentir à polícia, mas a vida da polícia é criar e conviver com mentiras: qual a novidade? Por isso, ele pensa que sua mentira será apenas mais uma entre tantas e talvez lhe dê tempo de evitar que algo pior aconteça a Antônio.

Quando perguntei ao Magrelo se o que estava lhe mostrando era o que procurava, ele se deu por satisfeito. Antônio sabe o que faz. Pelo menos ele quer me fazer acreditar nisso, mas sei que no fundo ele não tem ideia alguma do que os outros pretendem com ele. Aquele pateta... Disso sim eu tenho certeza que ele é. (Adriano)

No caminho, uma dezena de coisas passava pela sua cabeça, mas de repente seu coração parou quando viu Marcela saindo da porta do prédio e abriu seu sorriso mais casual, o sorriso dos seus quinze anos recém-feitos e caminhava em sua direção, como querendo dizer mais que as palavras, mas sem palavra nenhuma saindo da boca. “Vem comigo! Nós precisamos ajudar o Antônio…”, conseguiu por fim dizer quando a encontrou e pegou em sua mão.

E não é que ela veio. Será que por causa dele ou por minha causa? “Se você sabe onde ele se enfiou e com quem, me diga, porque ele está correndo perigo.” (Adriano)

Bem longe dali, mas mais ou menos no mesmo instante, os pais de Antônio e sua tia estavam descendo a escada para a rua e atravessando a porta de mola enguiçada do prédio onde moravam. Antônio estava se fechando atrás da porta escorregadia da van, onde Blinker estava com seus computadores. Sechat entrava pela porta do escritório do pai e ligava o laptop na mesa em formato de S. O Magrelo chegava à própria casa, ligava seu computador e estava tomando o terceiro comprimido para enxaqueca e José Ariovaldo, que matou o inspetor praticamente em frente à escola e agachado diante da porta do próprio carro, fugia da visão do traficante que o vigiava para ir para dentro de uma lan house fechada por um porta de empurrar, ali perto.

Eu já devia ter passado por essa história toda e sumido dela, mas ainda ando por aqui. Afinal, eu não morri, eu matei o inspetor, aquele filho da puta desgraçado ladrão de maconha. Agora, o que tenho pra fazer é jogar e me divertir. “Download finished, agora é só instalar esse bagulho!” (José Ariovaldo)


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