05 – Depois do crepúsculo

Ok. Estou dentro. Vamos ver agora o que o garoto andou aprontando por aqui… Bom, ele pensa que é esperto: histórico limpo, livre de vestígios, mensageiros zerados, sem senhas, sem nada... Mal sabe ele que é exatamente com isso que eu me viro. Esse quase nada que ninguém vê, mas que guarda mais vestígios que elefantes deixam marcas de sua passagem na areia fofa. Aqui estão os games do meninão… Trabalhos escolares. E aqui, me deixe ver melhor, ah... Aqui, quase totalmente oculto, nosso "vilarejo" preferido, Morphopolis… (Thiago, o perito em informática, também chamado "Magrelo")

“Vamos embora. Já temos tudo o que precisamos.” disse o inspetor, do outro lado do corredor, sem sequer olhá-lo nos olhos. “Algo aí?”, ele ainda perguntou. “Não, acho que não. Vou precisar voltar amanhã. Algum problema?”, disse o perito. O inspetor retrucou: “Vem sozinho, então. Eu vou ir lá conhecer a escola.”

De pé ao lado da porta, os dois explicavam que, por enquanto, não havia mais muito a fazer. Pediram aos dois para que procurassem ficar calmos e, lembrando-se de qualquer coisa, que os chamassem pelo telefone. O perito estaria de volta bem cedo. O pai ainda disse, segurando-o pelo braço: “Tem só mais uma coisa que eu gostaria de dizer. De saber…” E, em meio a um suspiro, quase um gemido, exasperou-se: “O que está acontecendo de verdade? Qual a nossa chance? De verdade… Podem dizer…”

O inspetor coçou a barba crescida sob o queixo e respondeu: “A chance de encontrá-lo é boa, mas vamos precisar de muita cooperação. Não tentem me esconder nada, vocês não vão ganhar nada com isso.” O pai então disse: “Está bem… Claro que não…” e baixou os olhos seguindo-os escada abaixo em silêncio. O ajudante do inspetor desceu parecendo mascar chicletes e, quase na porta, virou-se para o pai e recomendou: “O computador, o senhor me ouça bem, o computador não pode ser desligado.” José Francisco sacudiu afirmativamente a cabeça. “É que vou fazer uns testes à distância…”, complementou. Do portão do prédio, José Francisco ficou acompanhando os dois entrando no carro preto. Por um momento, acreditou ter presenciado o que parecia ser uma conversa entre os dois por detrás da janela, ou um cochicho, não tinha certeza, mas logo eles sumiram de vista. De volta ao apartamento, Vitória lhe parecia de certo modo mais tranquila e o esperava com uma caneca de café entre as mãos.

Mas que surpresa é essa agora? (José Francisco)


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